Você está “embatucada”? A história da Ju De Mari pode te ajudar

Você está "embatucada"?
A história da Ju De Mari pode te ajudar

O que leva um pessoa com mais de 20 anos de carreira, em uma grande editora do país, iniciar uma nova trajetória profissional?

Fiz essa pergunta para a Juliana De Mari, jornalista, que é minha convidada nesta série de entrevistas no www.pritescaro.com.br. A resposta foi simples, direta e com uma palavra que é a marca registrada do seu trabalho nos últimos anos: Embatuquei! Adorava meu trabalho, fez sentido até um determinado momento e depois não se encaixava mais naquilo que eu queria para a minha vida.”

Recifense que se divide entre São Paulo e Florianópolis há mais de 20 anos, a Ju mora na capital paulista com o marido, dois filhos, um cachorro e a casa repleta de flores. Aliás, as flores são presença garantida nas postagens diárias que ela compartilha no perfil da sua empresa, a Prosa Coaching. Além de jornalista, a Ju também é autora dos livros-caixinha Coaching de Carreira e Coragem e Limites (Editora Matrix), onde cada caixinha traz 100 questões para instigar reflexão sobre os temas de cada uma.

Sua vida profissional foi construída em redações de jornal e revistas em Recife e São Paulo. Nos últimos quatro anos, ela atua como coach e mentora de “mulheres inquietas que estão em busca de um jeito novo de pensar para fazer as coisas todas que sempre quiseram e nunca tiveram coragem”.

No início do mês, conversei com a Ju por mais de duas horas (e eu poderia ficar mais um tempão) por meio de uma chamada de vídeo, para ouvir as histórias inspiradoras que, generosamente, compartilhou e que eu transcrevo aqui.

– Qual a sua formação? Sou formada em jornalismo pela UNICAP, tenho MBA em RH pela Fundação Instituto de Administração (FIA) e especialização em Gestão da Inovação, pelo IBMEC. Fiz também as formações de coaching, pelo Integrated Coaching Institute (ICI) com certificação da ICF, e de especialista em Inteligência Emocional pela Sociedade Brasileira de Inteligência Emocional (SBIE), além de uma atualização sobre Emoções no ICI. 

– Conta um pouco da sua trajetória enquanto jornalista: Trabalhei por mais de 20 anos com jornalismo. No início da faculdade, consegui um estágio em um jornal no Recife e fiquei lá por uns cinco anos. Foi lá que aprendi a ser repórter e também tive a minha primeira “embatucação”! Estava desconfortável com a rotina, queria ampliar minhas experiências. Foi quando surgiu a oportunidade de dirigir a sucursal da Revista Veja na cidade. Depois de uns dois anos nessa função, fui transferida para a redação de São Paulo, onde estou vivendo há 20 anos. 

– Conta pra gente o que é “embatucação”? É um jeito original, algo meio pernambucano, de dizer que “travei, paralisei”. Usar o termo “embatucar” tem muito a ver com a linha editorial que criei para a Prosa. Queria fugir dos jargões do mercado de coaching e também do vocabulário corporativo para escrever de uma forma mais coloquial, simples e que possa tocar as pessoas mais diretamente.

– Mas você não ficou muito tempo na Veja. Logo rolou uma nova “embatucação”? Eu fiquei uns dois anos na redação da Veja, em São Paulo, e foi um período muito rico, onde desenvolvi muitas habilidades como jornalista. Mas chegou uma hora que o ritmo de trabalho do fechamento de uma revista semanal estava muito exaustivo. Chegou o momento que eu percebi que queria outro estilo de vida.

– Foi quando surgiu a revista Você S/A na sua carreira. Isso mesmo. Já estava dentro da Editora Abril e busquei outras publicações mensais para trabalhar, até que conheci o projeto da Você S/A, que estava começando. Trabalhei por mais de uma década na revista e, por sete anos, fui Diretora de Redação, o que me trouxe um aprendizado incrível. A publicação falava sobre o mundo do trabalho e, conforme o mercado ia se transformando, nós também precisávamos nos reinventar continuamente.

– Quando você começa a perceber que a “embatucação” estava chegando novamente? Estava há quase 15 anos na Você S/A, fazendo muita coisa diferente, mas sentia que não era mais aquilo que eu queria. Só não sabia o que era! Nessa época, a Editora Abril passou por uma grande reestruturação e fui convidada para assumir o projeto de reposicionamento da revista Nova, que foi assumiu a marca Cosmopolitan no Brasil. Quando recebi o convite, foi muito engraçado, pois foi a primeira vez que alguém (meu gestor) fez uma leitura da minha trajetória profissional, elencando todas as habilidades que eu tinha e que ele precisava para tocar aquele projeto. Durante a conversa, ele me disse: “olha tudo o que você fez até aqui. Agora você pega todo esse pacote e leva para esse novo projeto.” E não é que ele tinha razão….

– E foi na Cosmopolitan que você teve a última “embatucação” que criou sua carreira atual? O projeto foi incrível e aprendi muito ao desenvolver uma nova linha editorial para uma revista feminina. Mas, depois do reposicionamento da marca, ao voltar ao dia a dia da revista, à dinâmica de fechamento de páginas, eu percebi que não era mais o que eu queria. Não me sentia desafiada e tinha uma certeza que era não me acomodar com essa rotina de revista que eu já conhecia muito bem. Aliada à minha “embatucação”, a Editora Abril estava passando por uma crise e eu sabia que meu ciclo na empresa estava no fim. 

– Muitas pessoas me perguntam sobre o momento certo de começar a pensar no reposicionamento de carreira. Você esperou sair da Abril para fazer o seu? Não. Eu sabia que precisava me preparar para quando fosse necessário colocar o ponto final nesse ciclo. Nessa época, conversava muito com meu terapeuta sobre o que eu queria pra minha vida, mas não sabia como viabilizar. 

– Conta como foi seu planejamento. Eu tinha clareza sobre o que gosto de fazer e sobre o que faço bem, mas entendi que precisava de um movimento prático para entender como viabilizar. Selecionei pessoas de diferentes pontos de contato e fiz duas perguntas: “como eu contribui na nossa relação?”; e “o que eu poderia fazer se não fosse mais jornalista?”. Eu não estava procurando outro emprego. Eu queria outra carreira! Nas respostas que recebi, mais de uma pessoa falou sobre coaching. E aí eu comecei a considerar como possibilidade.

– Você tinha certeza que iria trabalhar como coach quando decidiu fazer essa formação? Não. Inicialmente, a ideia era fazer a formação para me entender, clarear o meu processo de carreira. Mas a formação foi tão rica, que percebi que era aquilo que eu queria fazer dali por diante: contribuir para que mulheres que estavam passando por um processo semelhante ao meu encontrassem clareza em suas vidas. Durante as aulas, percebi que tinha habilidades que poderiam me ajudar nesse trabalho, como a curiosidade, o gosto pelo aprendizado, a escuta e a capacidade de edição. Eu não iria começar do zero, e isso fazia sentido pra mim. Eu não iria mais atuar como jornalista da forma tradicional como conhecemos, mas poderia aplicar habilidades desenvolvidas nos meus últimos 20 anos de trabalho nesta nova carreira.

– Tenho notado que as mulheres na faixa dos 40 anos vivem a “embatucação” e têm necessidade de se reinventar. Por trabalhar com o público feminino, você tem essa mesma percepção? O meu processo aconteceu entre os 40 e 42 anos e observo que, quando chega aos 40 anos, a mulher tem necessidade de fazer coisas que deem mais prazer, mais satisfação. Nós costumamos nos doar muito até essa fase e acabamos nos desconectamos de quem somos. No meu caso, por exemplo, que sempre fui muito dinâmica e agitada, não fazia mais sentido viver daquela maneira. Eu queria mudar meu estilo de vida, ter mais liberdade, experimentar mais calma. Sinto que é isso que acontece com a maioria das mulheres nessa idade. Um retorno aos valores.

– Você acredita que pode fazer o seu reposicionamento porque tinha o controle da sua carreira? Eu sabia onde estava o incômodo todas as vezes que “embatuquei” e precisei me reinventar. Seja dentro da carreira como jornalista ou quando entendi que o ciclo em redações tinha chegado ao fim. 

– Como você coloca toda essa experiência de mais de 20 anos atuando em redações de grandes publicações nacionais para auxiliar as mulheres que estão passando por essa “embatucação”? Acredito que a minha capacidade de edição, uma habilidade que precisei aprender durante todo esse tempo na Editora Abril, é determinante. Consigo organizar as ideias e os caminhos de forma a gerar novas perspectivas e contribuir para as pessoas encontrarem suas respostas. Muitas vezes, não conseguimos fazer essa “edição” da nossa história e dos recursos que estão disponíveis e aí o trabalho (e a tomada de decisão) fica prejudicado. Essa costura das perguntas certas, com as provocações necessárias, contribui para criar novas relações e novas perspectivas.

– E, para quem está “embatucada”, o que você diria? Às vezes, tudo o que a gente precisa, é ganhar perspectiva, olhar para as nossas questões, nossos problemas, de um ângulo novo, de um jeito diferente. A configuração atual do mundo vai nos levar, cada vez mais, a processos de transição. Permita-se experimentar e entender quais são as sensações que você quer para a sua vida. Comece a investiga-las e relacioná-las ao que sabe fazer. A resposta pode estar na sua própria trajetória – você só precisa dedicar um olhar mais gentil a ela.

Onde você pode encontrar a Ju De Mari
Site: prosacoaching.com
Instagram: @prosa_coaching
E-mail: prosa.coaching@gmail.com