Quando comecei a empreender full time, em abril de 2012, confesso que não tinha ideia de onde chegaria, o que realmente queria ou como faria isso acontecer. Não me recordava das minhas experiências anteriores como empreendedora – mesmo que o nome ainda não era tão atual como hoje – nem da minha vivência como filha de empreendedores. Empreender, naquele dia, mês e ano era a única opção para quem não queria voltar a ter horários fixos, seguir regras e valores que não estavam alinhados àquilo que acreditava e por ter passado por experiências que, hoje, sei que foram assédio moral.

Eu simplesmente queria ser livre e dona do meu próprio nariz. A possibilidade de trabalhar em casa, com roupas mais confortáveis, sem o peso da maquiagem diária, cumprindo os meus horários, as minhas regras e fazendo algo pela qual eu seria paga, era o verdadeiro sonho para uma mulher de 34 anos, casada e com um filho de 2 anos e 6 meses.

O que mais eu poderia desejar?

Sobre as escolhas da vida

 

Mas eu desejei mais. Muito mais. Porque essa é minha característica nata: estar sempre em movimento, não me conformar com o que se tem e quer ir além. Tem seu lado bom – nunca me acomodei. Sempre achei que dava para fazer mais, para dar um passo extra, que sempre cabia um cliente a mais naquele mês. Mas tem também o lado não tão bom assim: preciso sempre de novidades para fazer meu coração palpitar ainda mais forte. Rotina não combina comigo. Estar sempre inventando algo novo é o que sei fazer. Mas essa postura tem seu preço!

E estou em uma dessas fases de inquietações. Mas que não depende apenas da minha vontade. Há fatores externos que estão influenciando esse movimento de não estar confortável onde estou. Diferente do que aconteceu no final de março de 2012 quando fui demitida de uma empresa por motivos que hoje eu vejo como sendo de total assédio moral, agora eu tenho aquilo que sempre me foi tão caro desde então – minha liberdade/flexibilidade – restrita. Tenho uma criança em casa, todas as manhãs. Pietro, meu filho de 6 anos iniciou uma nova etapa da vida escolar – foi para o 1º ano do Ensino Fundamental e, como sei lá quantos porcentos das mulheres brasileiras que trabalham no mesmo esquema que eu – em home office – ter uma empregada fixa ou babá não está na lista de prioridades por questões financeiras e de princípios. Meu pai dizia: “quem pariu que cuide”. Por mais que seja desafiador lidar com essa condição, a opção que temos, por conta da grana e de toda a logística envolvida {eu trabalhando em casa, na sala + Pietro brincando/vendo TV/jogando + babá ou empregada é uma conta que não fecha!} é essa: eu trabalho de manhã em casa, desenvolvendo atividades que consigo conciliar com os cuidados com ele; e tenho minhas tardes livres para reuniões presenciais com clientes.

“Tá, mas por que você está falando tudo isso, Priscila?” É o que você está pensando agora, né?

E aqui vem o ponto da virada, o que está me causando toda essa inquietação: minhas horas “livres”, no período da tarde, não estão sendo suficientes para que eu trabalhe com todos os clientes que gostaria, que precisam, que estão na fila de espera. Tem mais demanda do que horas livres. E o ponto de interrogação vive me “atormentando” diariamente – o que fazer para essa conta fechar: menos horas livres de trabalho externo + clientes + receitas no final do mês?

Porque, mesmo que eu trabalhe fazendo aquilo que me deixa realmente feliz e realizada, mesmo que seja maravilhoso encontrar resultados além dos esperados nos clientes atendidos, toda essa minha dedicação, empenho, estudo e trabalho mesmo, tem um valor. Eu, assim como qualquer outra pessoa que trabalha, tem uma remuneração no final do mês. E, hoje, no meu atual formato de trabalho, com muito mais reuniões presenciais do que uma atuação maior no online, estou abrindo mão de alguns clientes. Porque eu também prezo muito a qualidade daquilo que entrego. Poderia ter 10 clientes de Consultoria Empreendedora trabalhando apenas à tarde? Sim, poderia. Mas, como fica a qualidade daquilo que cada um receberia? Esse é um valor muito importante na minha Consultoria.

E, depois de tudo isso, de abrir meu coração e imaginar que terei a compreensão de vocês – sejam mães ou pais – ou que sabem o que é ter horário de trabalho restrito e limitado – que quero compartilhar algo que tenho pensado e repensado muito nas últimas semanas: com um mundo cada vez mais conectado, onde podemos chegar a qualquer lugar estando na frente do computador, tablet ou celular, o foco do meu trabalho será com uma divisão maior para ações no online, algo do tipo 70% / 30%.

Para mim não muda praticamente nada. Eu vivo na frente do computador. Estou conectada o tempo todo. Mas, para quem está aí do outro lado talvez possa estranhar que, nas próximas semanas, lançarei Oficinas Online e meu programa de Mentoria Empreendedora Online.

E por que estou fazendo isso?

  • É uma forma de atender mais empreendedores que estão realmente precisando de ajuda para prosperar seus negócios;
  • Poderia formar turmas para otimizar o tempo de todos nós – meu e dos participantes – e ainda promover a troca e interação entre profissionais que talvez nunca se conhecessem pessoalmente por questões geográficas – eu mesma já atendi clientes pelo Skype que estavam na Austrália e em Alagoinhas (interior da Bahia);
  • Ao realizar atividades em grupos, o valor individual da minha consultoria será diluído pelo número de participantes. Ou seja, além da troca de experiências entre todos, o trabalho será o mesmo, com o tempo otimizado e o valor mais acessível para quem não pode pagar por uma Consultoria Empreendedora Individual.

Depois de abrir meu coração, contar sobre minhas inquietações, ser vulnerável para todos vocês {como ensina minha mestra Brené Brown} também é uma oportunidade de mostrar que, quando somos donos dos nossos próprios negócios, sempre é necessários fazer ajustes. Por vários motivos. Desta vez, meus motivos são a escolha do estilo de vida que decidi ter ao ser empreendedora; sobre o trabalho que desempenho e quero seguir entregando aos empreendedores que precisam transformar seus negócios; e porque a decisão de empreender foi por um único motivo: SER FELIZ!