Setembro é um mês que faz parte da minha memória emotiva. Além da chegada da Primavera, que me renova as energias e me aquece a alma para esperar um dos períodos do ano que mais me enchem de alegria – eu AMO as férias de verão – setembro também é o mês em que nasceu o Pietro, meu único filho. E, agora, setembro entra em definitivo no rol dos períodos mais alegres para mim, pois marca o meu reinício. O recomeço de quem eu sou!

E, seguindo nessa linha de re-começar, ao final de cada mês farei um relato de como foram os últimos 30 dias, meus aprendizados, meu crescimento e evolução. Acredito muito na força das palavras e uso a escrita como uma ferramenta de autoconhecimento (terapia mesmo) desde sempre. Escrevi diários por anos e, com a chegada da internet transferi essa paixão pelos textos para os blogs (foi por causa do meu blog que conheci o Márcio e começamos a namorar ;)).

Por acreditar no poder curativo das palavras é que trago esse formato de texto para cá, tirando das páginas do meu diário, para compartilhar com outras pessoas minhas impressões sobre a vida cotidiana. Vamos lá?

 

O mês em uma palavra

Recomeço.

É essa a sensação que tenho ao me olhar no espelho. De estar recomeçando um novo e sereno período de vida. Chegar aos 40 anos sem ser aquela pessoa que imaginei aos 20 que seria foi, ao mesmo tempo, chocante e libertador. Quando idealizei a minha vida aos 40 anos era completamente diferente de quem me tornei. Que bom que é diferente. Porque só assim eu pude experimentar as deliciosas surpresas da vida e ver que, apesar de ser apaixonada por planejamento, sair dos trilhos pode ser ainda mais interessante.

E o mês de setembro faz parte exatamente desse momento de recomeçar sem precisar me explicar para ninguém. Eu precisei passar por cada uma das situações que me tornaram em quem sou hoje para saber que está tudo certo.

 

O que foi bom

Fiz a cirurgia bariátrica no final de agosto e, durante o mês de setembro aproveitei para colocar a cabeça em ordem, organizar a rotina de uma nova forma de me alimentar e relaxar. Acho que foi o período que eu menos fiz coisas na vida (benefícios do período sabático que estou vivendo neste ano). Para uma pessoa que não sabe ser cuidada, receber ajuda do marido, filho e da mãe foi uma grande experiência. Não foi fácil o tempo todo. Mas deu para perceber que as pessoas gostam de ajudar umas as outras e não há nenhum mal nisso. O grande aprendizado de tudo isso é que sempre é tempo de parar e pedir ajuda. Seja para entender a necessidade de fazer uma cirurgia bariátrica que mexe com corpo, mente e emoção, seja para os cuidados no pós-operatório!

 

O que deixei para trás

(Fiquei um tempo pensando para descobrir o que tinha deixado para trás. Como é difícil a gente se dar conta sobre maus hábitos ou qualquer outra experiência negativa que deixamos de lado. Estamos sempre focados no ruim que até mesmo identificar o que não faz mais parte da nossa vida é desafiador). Deixei para trás a necessidade de querer ser perfeita. De estar impecável. De ser a mulher maravilha 100% do tempo. Deixei para trás o “ter que”. Soltei as amarras das convenções da sociedade (que muitas vezes eu mesma me coloquei) para viver a minha vida de maneira autêntica.

Mas depois desse texto, em que deixei esse item por último para escrever, entendi que ainda tenho um longo caminho para seguir.

 

Minha música do mês

Descobri um estilo de vida nos últimos tempos – hygge – que me encantou totalmente (vou escrever sobre isso em breve). E a música que embala esse estilo de vida me acompanhou durante o mês de setembro, me auxiliando nos momentos mais tensos e também trazendo uma deliciosa sensação de aconchego. Recomendo fortemente essa playlist no Youtube.

 

Minha leitura do mês

Aproveitei a recuperação da cirurgia e me dediquei a uma leitura mais leve (entenda-se romance e não livro técnico ou de aprendizado contínuo). Escolhi o livro “A Garota Dinamarquesa”, que também virou filme e concorreu ao Oscar em 2017. O texto conta a história de Lili Elbe, que nasceu Einar Mogens Wegener na década de 20 e foi uma das primeiras pessoas a se submeter a uma cirurgia de redesignação sexual. É um romance que trata de um triângulo amoroso entre Lili/Einar, sua esposa Gerda e seu melhor amigo, Hans Axgil. O que mais me chamou a atenção no conteúdo é a forma como Lili vai atrás de seus sonhos e desejos em uma época onde era quase inimaginável um homem transgênero assumir sua opção sexual para a sociedade. E Lili foi lá lutou pelos seus ideais, seus anseios, não importando-se com o que os outros poderia achar dela. Ela entendeu que a vida existe para sermos felizes. Ela foi!

 

Compartillha comigo como foi seu mês. Sempre crescemos quando trocamos nossas experiências!