Acordei um dia em novembro de 2017, olhei no espelho do banheiro e não quis mais nada daquilo. O único pensamento que veio à minha mente foi: “não aguento mais o ser humano”. Naquela mesma semana, em uma consulta com meu psiquiatra, repeti a frase para ele que me diagnosticou com uma leve depressão.

Foi exatamente nessa semana que eu entendi que era necessário parar para respirar. E, diferente de férias para espairecer, o que eu precisava era parar e me ouvir. Conversei com meu marido e tomei uma das decisões mais desafiadoras para mim: eu iria parar de trabalhar em 2018. Eu, que sempre imaginei minha vida focada em trabalho, trabalho, trabalho, não iria iniciar o movimento de prospecção de novos clientes, como sempre fazia no final do ano. Iria encerrar os contratos em andamento. Era necessário dar alguns passos para trás para só depois avançar.

Tirei 15 dias de férias em janeiro e, quando voltei para Porto Alegre, era necessário recomeçar. Mas fazer o quê? Começar por onde?…. os pontos de interrogação não me deixavam. E seguiram (seguem) comigo durante esses nove meses de período sabático.

Essa pausa para respirar me fez refletir sobre tudo o que havia vivido até o momento. Chegar aos 40 anos e não estar vivendo aquela vida idealizada talvez tenha me causado esse choque lá no final de 2017. A gente sempre faz tantos planos, sonha com a vida assim e assado e, de repente, chega aos 40 anos sem realizar todos os desejos. Talvez esse tenha sido o click necessário para me fazer repensar o que eu queria para os próximos 40 anos.

Muitas vezes ficamos tão obcecadas em cumprir prazos e metas, viver de acordo com a moda do momento, ter a vida que idealizamos aos 15 anos, que esquecemos de nos ouvir e perguntar se esses objetivos de tantos anos atrás ainda fazem sentido para nós. E é o que tenho feito desde então. Aquela Priscila de 1996, que fez uma relação de tudo o que queria conquistar aos 20, aos 30 e aos 40 anos ainda existia em mim? Será que eu tinha os mesmos sonhos?

Percebi que fiquei tão focada em conquistar o que me disseram ser importante, em ter a carreira perfeita, a vida perfeita, que esqueci de perguntar para mim se tanta perfeição fazia sentido, ainda hoje. Quando parei para ouvir o que havia por dentro, percebi que eu era tão diferente daquela garota que entrou na faculdade aos 17 anos. E, por isso, as conquistas em cada década não faziam mais sentido.

Tenho vivido meses bem intensos, admito. Nunca imaginei que viver um período sabático iria me proporcionar experiências tão enriquecedoras. O propósito deste espaço é compartilhar essas descobertas, meu processo de autoconhecimento, a busca pelo equilíbrio. Fazer 40 anos foi apenas a ponta do iceberg de todas as transformações que estou vivendo e que vou compartilhar nestes textos.

Com carinho!
Pri Tescaro