Jornalismo e psicologia: a união das paixões de Débora de Oliveira

Jornalismo e psicologia: a união das paixões de Débora de Oliveira

“Eu nunca quis ser jornalista, mas eu sempre quis trabalhar com futebol”. 

A afirmação que abre a nossa entrevista de hoje é da jornalista, apresentadora e estudante de psicologia, Débora de Oliveira, uma das mais conhecidas personalidades da telecomunicação do Rio Grande do Sul, com passagens significativas pela Band TV, RBS e SBT. Quem acompanha a carreira da apresentadora, sabe da sua identificação com o esporte, mas não imagina que o jornalismo não estava em seus planos. 

Neste bate-papo que tivemos, a guria de Novo Hamburgo fala dessa história; conta um pouco mais sobre sua carreira; apresenta sua trajetória no jornalismo esportivo; e declara seu amor pelo futebol, revelando como esse esporte sempre esteve presente na sua vida. 

Filha única, Débora frequenta os estádios desde pequena. Seu pai, Leonel, atuava pelo Botafogo, equipe de várzea de Novo Hamburgo, e a filha fazia questão de acompanhar bem de pertinho, ao lado da mãe, Delfina. “Nunca entendi sobre a mulher não ter espaço no futebol, pois dentro da minha família, na minha casa, isso nunca foi um problema”, contou. Talvez, pelo tema ser tratado com tanta naturalidade, durante tanto tempo, ela não imaginava que seria tão desafiador trabalhar na área.

Formada em jornalismo desde 2005, atualmente, Débora divide o dia a dia com as aulas de psicologia. E a escolha da nova graduação não foi por acaso. “Eu sempre fui procurada pelos amigos para ouvir, auxiliar, por ser “alguém de confiança”. E eu gosto dessa relação, de saber que as pessoas podem contar comigo”, revelou.

– Por que você escolheu o jornalismo? Quando me formei em Magistério, decidi prestar vestibular para jornalismo, pois entendi que seria a única maneira de trabalhar com algo relacionado ao futebol. Pensei em fazer educação física e, sem seguida, fazer o curso de árbitra. Mas meu treinador de vôlei, na época, disse que seria improvável que conseguisse trabalhar com futebol. Tinha a opção de cursar fisioterapia, mas quando descobri que teria aulas de anatomia, desisti na hora. Tenho medo da morte!!

– Agora que está cursando psicologia, você pretende abandonar o jornalismo? De jeito nenhum!! Meu trabalho é ser jornalista. E eu amo essa experiência. Infelizmente, vivemos um período onde o mercado da comunicação está saturado. Mas sempre tem espaço para os bons profissionais.

– Na sua opinião é possível unir suas duas escolhas profissionais? Claro! Quando iniciei a faculdade, em 2009, todos os trabalhos que fiz estavam relacionados ao futebol. Adaptei o curso para a realidade do futebol e sei que é possível essa união. Quando era repórter eu já levava esse lado psicóloga para as reportagens. Em 2009 iniciei a faculdade mas precisei trancar. Retomei neste ano e estou encantada. Quero encontrar uma maneira de unir as duas paixões: jornalismo e psicologia. 

– Quais os desafios que você acredita que irá enfrentar na possível união das duas atividades profissionais? Penso que ainda tem resistência por parte das pessoas que atuam com futebol, sobre a importância do tema no dia a dia e na carreira de atletas e demais profissionais que atuam na área. Existem várias possibilidades de atuação para humanizar a categoria, pois estamos tratando de vidas humanas. 

– Como foi o início da sua carreira em jornalismo esportivo? Fiz um teste na Rádio ABC (Novo Hamburgo/RS) para debater sobre futebol em um programa nas manhãs de domingo. Fiquei por três anos e ia conciliando com meu trabalho como professora. Aí foi a minha primeira transição de carreira, quando deixei a sala de aula para me dedicar exclusivamente ao jornalismo esportivo.

– Foi nessa época que você se dedicou exclusivamente ao jornalismo esportivo? Isso mesmo. Em 2002, o XV de Campo Bom foi finalista do campeonato gaúcho e toda a imprensa de Porto Alegre foi acompanhar o jogo. Como eu estava no dia a dia do clube, muitos colegas precisaram de informações sobre os jogadores do XV e foram me pedir. Eu era a única mulher a atuar em futebol naquela época. Foi nesse jogo que um dos jornalistas sugeriu que eu enviasse meu currículo para uma emissora de TV de Porto Alegre.

– E quando foi a transição do rádio para a TV? Em 2003 eu recebi um convite para trabalhar na Band TV, em Porto Alegre. Na verdade eu fui chamada para atuar na Rádio Band mas, sem perceber, fiz um teste de vídeo e fui aprovada. Durante um tempo me dediquei aos dois veículos. Na Band eu era repórter e debatedora. Não sei bem se foi uma transição de carreira. Eu acho que sim. Apesar do foco do meu trabalho continuar sendo o jornalismo esportivo, precisei desenvolver a linguagem para trabalhar em TV. E foi um delicioso desafio.

Nunca deixei de aprender. Sempre precisei me reinventar à linguagem do veículo, da emissora, o formato do programa. E vou seguir assim, sempre me reinventando, porque sou apaixonada por jornalismo esportivo.

– E tem também a passagem pela RBS TV. Isso mesmo. Na RBS eu aprendi a ser apresentadora e foi uma experiência enriquecedora. Em cada veículo que atuei eu precisei aprender algo para entregar o melhor possível. E, para o próximo desafio que aceito, levo essa bagagem que complementa os novos aprendizados.

– Qual foi sua transição de carreira mais recente? Em 2013 fui convidada para levar o jornalismo esportivo ao SBT, que não tinha essa tradição aqui no estado. Em seis meses nós criamos o programa SBT Esportes, que era veiculado no horário do almoço. Desta vez, um dos desafios era criar uma linguagem para chegar até o público que nos assistia, muitas crianças e idosos. 

“Atualmente, estou focada nas aulas do curso de Psicologia e desenvolvendo alguns projetos relacionados ao jornalismo e ao futebol (claro!). Mas também quero incluir a psicologia nesse rol de possibilidades de atuação. Sempre tive uma preocupação com o lado humano dos atletas. Acredito que a força do meu trabalho está nesse olhar que mescla a atenção ao ser humano sem deixar de lado o caráter informativo do jornalismo. Não tem nada mais perfeito que unir essas paixões para desenhar minha próxima carreira.” 

Onde você pode encontrar a Débora de Oliveira:

E-mail: contato@deboradeoliveira.com
Instagram: @deboradeoliveira
Youtube: Debora de Oliveira