Gabriel Brandt: movido pela felicidade

Gabriel Brandt: movido pela felicidade

Foto: Sabringa Schneider

Mudar de carreira nem sempre significa que tudo está mal. Muitas vezes, mudamos nossos interesses, as prioridades se transformam e a vontade de fazer ajustes acontece naturalmente. Porém, como fomos (e ainda somos) criados com a mentalidade de que só devemos mudar quando tudo está mal, ficamos presos a uma única vida, a um único eu.

Mas a vida não é linear. Somos múltiplos e temos diferentes interesses. Com o passar dos anos, vamos incorporando novas histórias e aprendizados em nosso repertório de vida, que, em algum momento, o que fazia sentido antes, deixa de fazer agora. É aí que precisamos “virar a chave”.

A entrevista desta semana é com Gabriel Brandt, especialista emocional. Formado em Administração de Empresas, ele tinha o que muitas pessoas denominam como “vida perfeita”. Era o responsável pela administração da loja de materiais de construção da família com tradição de mais de 40 anos no mercado, participava da direção de entidades de classe e o planejamento de vida estava redondinho. Ou seja: era só seguir na trilha definida que teria uma carreira de sucesso.

Confere a história das carreiras múltiplas do Gabriel e se inspire para dar aquele passo nas transformações da sua carreira. 

– Quanto tempo você atuou na sua área de formação? Minha atuação em administração de empresas tem vários caminhos. Me formei em 2004, mas, durante a faculdade, fazia estágio no Banrisul (banco do Estado do RS) e trabalhava na loja de materiais de construção da minha família. Em 2005 e 2006, fiz intercâmbio na Austrália. Quando voltei para o Brasil, não queria mais atuar na empresa do meu pai. Permaneci durante um período bem curto e fui trabalhar em uma imobiliária.

– Essa foi sua primeira transição? Analisando, hoje, acredito que sim. Me identifiquei com o ramo imobiliário. Mas também tinha a questão de querer preservar a relação com meu pai e trabalhar em outro local, fora da empresa da família, foi a opção que encontrei.

– Quanto tempo ficou na imobiliária? Trabalhei por um ano e retornei para a loja (idas e vindas, né?) porque iniciamos o processo de sucessão e assumi a empresa com a minha irmã. Em 2009, comprei a parte dela e senti que havia conquistado tudo o que queria. A empresa já era referência na região, eu participava ativamente de entidades do setor. Enfim, tinha uma vida que era muito boa. Mas sabe quando tem algo que fica martelando dentro de você? Eu não sabia o que era, até que, em 2016, conheci o trabalho do coach financeiro, Roberto Navarro, e me identifiquei. Percebi que poderia fazer a formação em coach que ele tinha para aplicar em alguma área da minha vida.

– Essa foi a virada de chave para a sua próxima carreira, que é a atual? Foi! Após a formação, apliquei o conhecimento na minha vida pessoal e nos negócios, ainda atuando na empresa da família. Descobri que ali estava meu propósito. Mas ainda tinha a loja e eu precisava decidir o que fazer com ela. Eram mais de 40 anos de negócio, estava na terceira geração e era bem sucedida. Não podia fechar as portas de um dia para o outro. Em 2016 e 2017, trabalhei para vender o negócio, pois queria seguir uma nova carreira. Consegui concretizar a venda em junho de 2018 e, de lá para cá, meu foco é em desenvolvimento humano.

– Qual foi o momento que você pensou que era a hora de mudar? Havia duas motivações para buscar essa transição: queria ter qualidade de vida e ser um pai presente na vida do meu filho. Eram questões que me acompanharam durante toda a vida e não sabia que me incomodavam. Quando descobri que era possível mudar de carreira ficou mais claro o que queria fazer e o que não queria. Essas informações foram fundamentais para eu tomar as decisões necessárias.

– Se precisasse mudar, faria tudo de novo? Não foi fácil viver aqueles anos que estive na administração da loja da minha família, pois tinha algo que me incomodava e não sabia o que era. Porém, faria tudo de novo para chegar onde estou. Hoje, eu entendo que esse período foi necessário para desenvolver habilidades que utilizo no meu trabalho como coach. Já estive do lado de lá o balcão e conheço as “dores” dos empresários. Esse é um dos meus diferenciais.

– Mas além de coach você tem outros papéis atualmente, certo? Sim, alguns. Além de coach, também sou escritor (é co-autor do livro “Minha história com o coaching” e já tem outro em fase de manuscrito), educador, palestrante, músico (compositor), estudante (ele cursa Mestrado com ênfase em Psicologia Positiva), empresário e empreendedor. Muitas vezes, as carreiras se relacionam e uma influencia a outra. Posso dizer que, hoje, me identifico com essas atividades.

– É mais feliz, realizado com essa mudança? Muitas vezes as pessoas acham que a felicidade está no final do processo, quando você conquista o objetivo. É claro que é uma realização atingir a meta. Pra mim a felicidade está no presente. É assim que eu vivo e desenvolvo no meu trabalho.

– Fez algum tipo de planejamento? Fiz a primeira formação em coach em 2016 e, de lá para cá, fiz outras para agregar conhecimento e criar meu negócio. Não sei se posso dizer que foi um planejamento estruturado, mas eu me preparei para os passos que dei desde aquela época.

Eu sempre pergunto, ao final de cada conversa, se o entrevistado está feliz com a nova carreira. Porém, nesse bate-papo com o Gabriel, a paixão com que ele fala sobre a experiência que está vivendo no momento, não deixa dúvidas. 

Onde você pode encontrar o Gabriel:

Site: www.gabrielbrandtoficial.com
Instagram: @gabrielbrandtoficial