Não sei se isso já aconteceu com você mas, como sou de carne e osso e não sou perfeita, preciso confessar que tem momentos em que eu surto. Momentos em que tenho vontade de sair correndo e largar tudo para trás…. empresa, clientes, filho, marido, gato, mãe, irmãos, amigos….. mudar para um lugar onde ninguém me conhece, implodir meus perfis nas redes sociais, cortar o cabelo, pintar, mudar de identidade. Fugir de mim mesma. Quem nunca atire a primeira pedra!

Tem uma frase que eu eu AMO e até postei no meu perfil no Instagram esses dias: “Falar de mim é fácil. Difícil mesmo é ser eu.”

Quem vive em uma rotina (que não é tão rotina assim) onde assume vários papéis – sou mãe, empresária, consultora, esposa, amiga, filha, tem várias e várias responsabilidades. E, na maioria das vezes, a carga é tão pesada que a gente surta.

Faz algumas semanas eu tive o primeiro sinal que o surto estava se aproximando. Tinha compromissos agendados para todos os dias da minha semana – algo que não costumo fazer, pois já identifiquei que semanas assim me desgastam demais – meu marido estava fora do país, eu fiquei integralmente no papel de mãe-pai e ainda tinha que cuidar da minha alimentação – estava iniciando uma nova educação alimentar.

Tive o primeiro colapso. Sentei no chão do banheiro e chorei. É a única coisa que me acalma. Chorei o tanto que foi suficiente para quase me desidratar… brincadeira! Depois tomei um banho para me recuperar e tentar entender o que estava acontecendo.

Comecei a me questionar, aplicar algumas técnicas que conheço para entender o que poderia estar por trás de toda aquela situação. Um dos exercícios que faço é relembrar as coisas mais importantes que já fiz ou conquistei na minha vida e que me levaram até aquele dia.

• Quais os lugares que você já trabalhou?
• Quais as pessoas que já conheceu – e nunca imaginou que conheceria?
• Quais os lugares que você já conheceu?
• O que você aprendeu de mais valioso?
• Quando você decidiu ser jornalista (sou formada em jornalismo!), você imaginou que teria essa vida?
• Você imaginou que teria essa família?
• Você sonhou em ser mãe de um guri como o Pietro
• ……..

E eu faço o exercício assim mesmo, falando comigo na terceira pessoa, como se a minha voz interna, o “Diretor da Vida” que vive em mim estivesse na minha frente me chacoalhando para eu acordar desse surto que, hoje, não tem muito sentido, mas na hora do cansaço físico e mental, ele é tudo o que temos de concreto: surtar e chorar. E reclamar. E se vitimizar.

O que eu fico atenta sempre que tenho sinais de um possível surto – porque não dá para ter essas crises todas as semanas:

1) será que estou dormindo o suficiente?
2) o que está me incomodando para desencadear essa sensação ruim?
3) estou fazendo coisas que vão contra meus valores, minhas crenças? Se sim, como faço para resolver e encerrar esse comportamento?
4) estou sobrecarregada de trabalho e isso é fato. O que posso fazer para reorganizar minha vida, minha rotina e me restabelecer como ser humano?

É um trabalho constante de formiguinha para se autoconhecer, eu sei. Mas tem funcionado. Sempre que uma crise se aproxima, eu já não seguro, não represo ela dentro de mim. Deixo vir para liberar essa energia, entender o que está acontecendo e melhorar. Dar o próximo passo para ser um ser humano melhor passa por esse processo de autoconhecimento. É dolorido algumas vezes mas extremamente necessário.

E você, tem momentos em que sua única vontade é sentar e chorar? Me conta o que você faz para sair desse caos que todos nós passamos. 😉