Não tem problema algum começar uma nova carreira aos 40, 50 anos. O que, na minha visão, não deve acontecer, é passar uma borracha na sua história e deixar de lado sua trajetória até este momento. Há tantas coisas que podem ser aproveitadas que você nem imagina.

Não é porque vivemos em uma era de transformações que tudo precisa ser descartado e iniciado do zero. Podemos (e devemos!) reinventar o que é possível para somar ao que somos, com a nossa trajetória. 

Digo isso porque, no final de 2019, realizei um workshop sobre carreiras múltiplas. O objetivo era reunir profissionais de diversas áreas para debater sobre o futuro do trabalho e identificar os desafios mais comuns para manter-se empregado com tantas novidades chegando em tão pouco tempo. 

E sabe qual o sentimento mais comum entre os participantes (a faixa etária era de 30 a 50 anos)? Um grande ponto de interrogação sobre o que fazer com a carreira no tal “mercado de trabalho do futuro”. Com tantas informações disponíveis sobre as mudanças pelas quais estamos vivendo tão rapidamente, essas pessoas acreditavam que era necessário abandonar tudo o que já haviam vivido e recomeçar do zero.

Um arquiteto pode focar seu trabalho nas novas exigências do mercado com relação à preocupação com o meio ambiente, por exemplo. Conhecer com profundidade sobre reciclagem e reuso de espaços e materiais pode ser um valioso diferencial para o profissional manter-se na carreira e aproveitar a trajetória até os dias atuais.

Já os psicólogos terão papel cada vez mais fundamental em nossas vidas: segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), neste ano, a depressão será a doença mais incapacitante do planeta. Mas, se os profissionais da área não se adequarem às mudanças de comportamento da sociedade apenas aqueles melhores preparados irão conquistar (ou manter) seu lugar ao sol. No Brasil, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) já autorizou o atendimento online. E, por meio da internet, profissionais atentos poderão chegar em locais com demandas como a área rural.

Selecionei apenas dois exemplos, pois, coincidentemente, eram profissões de alguns participantes do workshop e foram percepções que compartilhei com eles ao longo do evento. Não precisamos rasgar quem somos e descobrir algo inédito para nos adequarmos às novidades do mercado. Precisamos fazer uma avaliação se o objetivo é seguir atuando na profissão ou área desejada. Se a resposta for “sim” o próximo passo é olharmos para fora da nossa bolha. Identificarmos quais são as possibilidades reais e colocarmos em prática. Você vai ver que, muitas vezes, sua bagagem será seu tesouro mais valioso.