Você já reparou que nossa vida é cíclica?

 

Podemos dividir nossa trajetória neste mundo de diferentes maneiras e de acordo com o interesse e objetivo do momento da análise. Na psicologia, os profissionais separam a vida em oito períodos: pré-natal; primeira, segunda e terceira infância; adolescência; início da vida adulta; vida adulta intermediária; e vida adulta tardia.

 

Há divisão pelos ciclos da lua, pela antroposofia (que divide a vida em setênios, observando os ritmos da natureza), pelas estações do ano, etc, etc. Eu poderia passar o dia relatando diferentes exemplos sobre divisões da vida humana.

 

 

Se tudo em nossa vida tem início, meio e fim, por que seria diferente com a vida profissional? 

 

Quem começou a trajetória profissional nos anos 1960, 1970, vivenciou ciclos de trabalho extensos, de 20, 25 anos. Os mais dedicados iniciavam e encerravam suas carreiras em uma única empresa. Era o chamado “profissional de carreira”. O tempo avançou, o mundo foi se transformando cada vez mais rápido e quem estava no mercado de trabalho precisou se reinventar.

 

Nos últimos 20 anos, os ciclos foram encolhendo cada vez mais (e eu acredito que, após a pandemia, eles serão ainda menores e mais ágeis). Os motivos são os mais variados, mas um dos principais é a relação com nossas carreiras. Cada vez mais, queremos trabalhos com sentido de propósito, pois viveremos por mais tempo. Assim, ter uma vida com significado é muito importante.

 

Apesar da redução dos ciclos de trabalho de forma geral, vale ressaltar que o tempo de duração é diferenciado para cada profissional. Os meus ciclos de trabalho têm duração média de cinco anos. O seu pode ser maior ou menor. Existem diferentes fatores que influem sobre esse tempo e não devemos basear nossa trajetória pela trajetória de outro profissional.

 

Os ciclos de trabalho formam capítulos importantes e valiosos em nossa trajetória. Quando assumimos a direção da nossa carreira, saber quando iniciar e encerrar cada ciclo depende única e exclusivamente de nós. Passar por um processo constante de autoconhecimento, saber quais são os valores que temos em cada período, quais são nossas prioridades e o que realmente faz sentido para nós, são elementos necessários para reconhecer cada início e término de ciclos.

 

Se cada um de nós tem ciclos com tempo de duração diferenciado, há algo em comum entre todos: a necessidade de estar com o radar ligado o tempo todo, acompanhar as movimentações do mercado e do segmento onde você atua, investir em aprendizado contínuo (o lifelong learning) e desenvolver habilidades comportamentais (as soft skills) para se diferenciar das máquinas. 

 

Reserve um tempo para avaliar em qual momento do ciclo está sua atividade profissional neste momento e o que você precisa fazer para manter-se atualizado.